Técnicas para calcular a produtividade das pastagens

Se o pecuarista investir anualmente algo em torno de R$ 300/ha em manutenção, no mínimo, triplica sua taxa de lotação e sua lucratividade, e não precisa reformar nada.

Vamos iniciar esta nossa caminhada refletindo sobre as palavras do sábio Engenheiro Agrônomo Dr. Fernando Penteado Cardoso, que diz “O Brasil é um país onde as pessoas acham muito, observam pouco e não medem absolutamente nada!”. São palavras duras, mas eu, em meus quase 35 anos de profissão, sou obrigado a concordar plenamente com ele.

É comum um pecuarista me chamar para ir à sua fazenda sem saber o nível de gravidade em que ela se encontra quanto à degradação, e muitos acreditam que suas pastagens estão muito boas, enquanto aos meus olhos estão no vermelho.

Como sou um profissional da lida e procuro sempre levar ao pecuarista o conhecimento e a prática, desenvolvi uma metodologia de diagnóstico bastante fácil para ele avaliar o estado de sua pastagem.

Metodologia do Quadrante

Esta metodologia chama-se “Metodologia do Quadrante”, em que eu considero 4 fatores principais que provocam a degradação da pastagem. Vejamos a seguir:

  • Plantas daninhas: para avaliar esse item, normalmente eu peço ajuda de um distribuidor da CORTEVA, especialista em limpeza de pasto e controle de plantas daninhas. Damos uma nota que vai de 0 a 10, em que zero é muito bom e sem plantas daninhas, cinco é 50% de infestação e dez 100% de infestação.
  • Fertilidade: para esse item, não existe outra forma a não ser fazer uma análise de solo, o pecuarista costuma “achar” que sua terra é muito boa e raramente faz análise de solo. Vamos nos atentar principalmente aos níveis de Fósforo, em que zero seria com 1 ou 2 mg/dm³, cinco 10 mg/dm³ e dez 20mg/dm³, que seria o desejável para termos uma boa pastagem.
  • Outras plantas: chamo de outras plantas gramíneas ou outras plantas de folha estreita como a gramínea forrageira. Porém, são plantas muito agressivas, que o bovino pouco aceita comer. Um exemplo seria o famoso Navalhão ou o Rabo-de-Raposa. Agora a Corteva tem em seu portfólio um produto para o controle do Navalhão.
  • População de capim: nesse item, zero o capim se acabou, cinco só temos 50% e dez temos 100% do estande de capim.

Depois de avaliados esses 4 itens, podemos localizar onde a nossa pastagem se encontra, conforme a figura abaixo.

  • Verde 1, é um pasto que se encontra em uma situação que necessita apenas de uma eventual manutenção, é um pasto bom ou ótimo, que pode receber uma carga animal mais elevada.
    Figura 2 - Pasto Verde em ótimo estado

  • Amarelo 2, é um pasto que já se encontra em degradação, porém, é muito fácil de se recuperar, pois apesar de termos muitas plantas daninhas, temos muito pasto. Com uma aplicação de herbicida em área total, podemos eliminar as invasoras e rapidamente o pasto retoma a sua capacidade produtiva.

    Figura 3 - Pasto em degradação

  • Amarelo 3, é um pasto que também está em degradação. É uma situação muito mais difícil de se recuperar, pois a fertilidade está muito baixa e o capim com diversos espaços vazios.

    Figura 4 - Pasto em degradação mais intensa

Vermelho 4, nesse último o pasto se acabou e é necessário refazer tudo novamente.

Figura 5 - Terreno degradado sem pasto

Com essa metodologia simples, o pecuarista pode começar a estabelecer uma avaliação para as suas pastagens e um plano de recuperação e reforma.

Medir a taxa de lotação

Outra maneira de medir como anda o seu negócio é avaliar a sua taxa de lotação, seja em cabeças/ha ou Unidade Animal/ha, lembrando que uma UA equivale a um animal de 450 kg. Um bezerro de 225 kg corresponde a 0,5 UA e um boi de 550 kg corresponde a 1,22 UA.

Segundo um estudo da EMBRAPA:

Média brasileira

0,9 cab/ha

0,7 UA/ha

Sistema melhorado

1,2 cab/ha

0,9 UA/ha

Tecnologia avançada

1,6 cab/ha

1,2 UA/ha

Alta tecnologia

2,0 cab/ha

1,6 UA/ha

Essa é uma forma bastante interessante para se avaliar em que patamar a propriedade se encontra.

Outros indicadores que o pecuarista deve acompanhar

Outra forma importante é o pecuarista pesar o seu rebanho periodicamente e avaliar o ganho de peso tanto nas chuvas quanto na seca. Nas águas, um bom pasto deverá dar um ganho de peso de pelo menos 900 g/cab/dia e, na seca, 400 g/cab/dia. Quanto está dando em sua propriedade? Por incrível que pareça existem pecuaristas de corte que nem balança possuem em sua fazenda.

A EMBRAPA possui uma régua para a medição de pastagem para o pecuarista avaliar a altura de entrada e de saída do pasto. Lembro que cada gramínea possui uma altura de entrada e de saída. É lamentável que a grande maioria desconheça esses números.

Figura 6 - Altura de entrada ou máxima e altura de saída ou mínima

Podemos avaliar diversos índices zootécnicos que nos permitem concluir em que nível de desenvolvimento estamos. Por exemplo: peso do bezerro na desmama, índices de natalidade, mortalidade, mortalidade pós-desmama, idade da primeira cria, intervalo entre partos, entre outros.

Veja a tabela da Embrapa abaixo:
Tabela Embrapa

Apesar de alguns desses índices já estarem ultrapassados, ainda servem como referência.

Quantos anos de vida média tem a pastagem em sua propriedade?

A vida média de uma pastagem no Brasil é de 4 a 5 anos, sendo que a pastagem é constituída por plantas perenes, ou seja, vida longa. Temos pastagens com mais de 30 anos no Brasil.

Um hectare de pastagem para ser reformado custa em torno de R$ 1.700,00. Dependendo do grau de degradação e incidência de plantas daninhas, pode até passar de R$ 2.000,00, mas vamos considerar o primeiro valor: se dividirmos por 4, teremos um custo anual de R$ 425,00, enquanto que, se dividirmos por 30, teremos o valor de R$ 56,66.

Aí está a diferença.

Se o pecuarista investir anualmente algo em torno de R$ 300,00/ha em manutenção, no mínimo, triplica sua taxa de lotação e sua lucratividade e não precisa reformar nada.

Além desses índices, existem muitas outras formas de o pecuarista medir o seu desempenho: medindo a chuva com um pluviômetro, anotando as suas receitas e despesas.

Mas é muito fácil você avaliar a sua performance diante da situação, quer ver?

  • Há quanto tempo você não participa de um congresso ou encontro de adubação?
  • Há quanto tempo você não abre suas porteiras para levar um consultor para lhe dar assistência?
  • Há quanto tempo você não testa novas tecnologias e busca se aprimorar?

Apesar de o Brasil estar em meio a uma grande crise econômica, o que importa hoje para se continuar no negócio é o seu índice de mudanças. Lembre-se:, quem não muda, dança!

Autor: Wagner Pires – Engenheiro Agrônomo, pós-graduado em Pastagens pela ESALQ / USP. Consultor e CEO da Wagner Pires Consultoria & Treinamentos.

 

 

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12 respostas para “Técnicas para calcular a produtividade das pastagens”

  1. Parabéns pelo material de pesquisa, minha luta constante com a classe produtora, temos que tratar como lavoura de pasto ou lavoura de carne, mexemos com culturas e aí demora mais o retorno.

    1. Oi Edson, tudo bem? 😄 Ficamos felizes que tenha aprovado o conteúdo. Conta pra gente: como você faz para mensurar a produtividade em suas pastagens?

  2. Muito bom este material
    Apenas gostaria de reforcar a nossa deficiencia em analises de solos. O produtor brasileiro ainda não entende o quanto é importante o solo no processo de produção, e ainda pensa ter otima pastagens sem investimento onde mais se tem resultado
    Muito obrigado
    Anderson Marcos Althaus

    1. Oi Anderson, que bom que você aprovou o conteúdo! 😃 É realmente importante que o produtor considere o solo como um dos ativos no negócio. Solo degradado significa mais tempo de engorda do gado e é dinheiro que deixa de entrar para a fazenda.

  3. Muito bom gostei muito das informações são observações importantes que nos tecnicos e prodotores devemos está atentos. São detalhes que fazem a diferença.

    1. Que bom que você gostou do artigo, Justo Você está certo, os detalhes são importantes indicadores do sucesso do negócio. Você já usava essas técnicas para mensurar a produtividade em suas pastagens ou passou a adotar alguma que viu por aqui? Conta pra gente! 🙂

    1. Ficamos felizes que o conteúdo tenha sido relevante para você, Fernando! 😃 Agradecemos seu comentário e esperamos que você continue nos acompanhando.

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