Como a relação de troca se comportou ao longo das últimas décadas

Com a relação de troca piorando, ao longo dos anos, para o recriador/invernista, não há outro caminho que não seja o ganho em eficiência produtiva para manter o lucro na atividade.

Como a relação de troca de

Recentemente, falamos sobre a sazonalidade de preços do bezerro ao longo do ano. Neste artigo, seguimos abordando temas que influenciam o planejamento de compra de bezerros, tratando-se da relação de troca e como ela interfere no poder de compra do recriador/invernista.

O que é a relação de troca?

A relação de troca entre arrobas de boi gordo e bezerro aponta para o recriador/invernista, quantas arrobas de boi gordo ele precisa vender para comprar um bezerro. Essa relação é um importante termômetro para avaliar seu poder de compra.

Em resumo, quando a arroba do boi gordo se valoriza mais do que as cotações do bezerro, o recriador e invernista aumenta seu poder de compra. Isso quer dizer que o número de arrobas de boi gordo necessárias para comprar um bezerro diminui.

O contrário também é verdadeiro. Quando as cotações do bezerro valorizam mais do que a cotação do boi gordo, o número de arrobas de boi gordo necessárias para a compra de um bezerro aumenta.

Cenário da relação de troca ao longo dos anos

Muitos já devem ter ouvido a seguinte afirmação: “Antigamente era mais fácil comprar bezerros”. Essa afirmação faz sentido, pois, ao longo dos anos, a relação de troca está piorando para o recriador e invernista.

Figura 1
Arrobas de boi gordo necessárias para a compra de um bezerro de 12 meses em São Paulo e médias em cada década (linhas).

Fonte: Scot Consultoria

Da década de 1980 até hoje, o número médio de arrobas de boi gordo necessárias para a compra de um bezerro de 12 meses saltou de 5,4 para 8,6. Ou seja, 3,2 arrobas de boi gordo a mais por bezerro.

A título de comparação, na década de 1980, em São Paulo, com a venda de um boi gordo com 16 arrobas, compravam-se 3,0 bezerros. Atualmente, com a venda de um boi gordo com o mesmo peso, compra-se em média 1,9 bezerro. Logo, ao longo das últimas quatro décadas, o recriador/invernista deixou de comprar um bezerro a cada boi gordo (16@) vendido. 

E o que vem pela frente?

Desde o início do segundo semestre de 2018, o bezerro vem valorizando e, para o curto e médio prazos, as cotações tendem a permanecer ganhando força.

Isso porque a oferta dessa categoria este ano deve ser menor em função do maior número de fêmeas que foram abatidas em 2017 e deixaram de produzir os bezerros que iriam chegar ao mercado nesta safra.

Já pelo lado das cotações do boi gordo, as projeções passam pela demanda do mercado interno. O país ainda está em recuperação econômica e, neste início de ano, o consumo ficou aquém do esperado.

Contrabalanceando as expectativas, a possível redução dos abates de fêmeas pode trazer um cenário mais promissor para o boi gordo.

Ainda pairam incertezas sobre o mercado, mas no caso de as cotações do boi gordo não reagirem, possivelmente, haverá diminuição no poder de compra do recriador e invernista. Fato que pressiona as margens e o resultado final da atividade de recria e engorda.

Como contornar essa situação?

O cenário é evidente: o custo com a compra de bezerros está aumentando e pressionando as margens do recriador e invernista ao longo dos anos. Logo, o dinheiro para pagar os demais custos de produção fica menor.

Diante dessa pressão imposta pelo mercado, não há outra saída que não seja o aumento da eficiência produtiva para explorar ao máximo o potencial desse bezerro, comprado por um número maior de arrobas de boi gordo, e terminá-lo de maneira mais rápida. Ou seja, produzir mais em menos tempo.

Lembrando que, quando o preço de compra do bezerro está mais alto frente aos preços de venda do boi gordo, pressionando as margens, quanto mais rápido fizer o giro de vendas melhor. Assim haverá diluição dos custos fixos, o que pode ajudar a melhorar o resultado financeiro e equilibrar as contas.

Autor: Breno de Lima, Zootecnista.

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*