Carnaval, salário e demanda: o rumo do mercado do boi no curto prazo

As expectativas são positivas para as primeiras semanas de março, mas o descarte de fêmeas pode limitar as valorizações no mercado do boi.

O rumo do mercado do boi gordo no curto prazo

Em fevereiro, a demanda não vingou nem mesmo na primeira quinzena, período sazonalmente melhor de consumo frente à segunda metade do mês. Por outro lado, a oferta restrita de boiadas deixou pouco espaço para que os frigoríficos testassem o mercado com ofertas de preços abaixo das referências.

Aliás, a baixa disponibilidade de boiadas dificultou o alongamento das escalas de abate e, na última semana de fevereiro, que antecede o carnaval, parte das empresas se preparavam para o início de março com as programações de abates enxutas.

Portanto, para avaliar os rumos que a arroba do boi gordo poderá tomar na primeira quinzena de março, vale chamar a atenção para três pontos:

1- Chuvas

Os volumes de chuvas, que ficaram abaixo do esperado no fim de dezembro de 2018 e início deste ano, voltaram com maior normalidade em fevereiro. Consequentemente, houve melhoria da qualidade do capim e, com isso, maior capacidade de suporte das pastagens, fato que permitiu ao pecuarista reter a boiada nos pastos, aguardando por preços melhores.  

Esse foi um dos fatores que segurou o preço da arroba do boi gordo na segunda quinzena de fevereiro, mesmo com o consumo em baixa.

2 – Carnaval

O carnaval, ocorrendo na primeira quinzena de março, é outro ponto que pode dar sustentação para o mercado do boi, em função da maior procura por carne bovina nesse período.

Porém, esse reflexo deve ser sentido de maneira mais sutil, tendo em vista que o feriado ocorreu antes do quinto dia útil do mês (período em que boa parte dos trabalhadores recebe os salários).

3 – Recebimento de salários

O recebimento dos salários, que acontecerá nos próximos dias, passado o carnaval, gera a expectativa de maior demanda por carne bovina e, se confirmada essa expectativa, isso tende a dar consistência para que o preço do boi gordo se mantenha sustentado nas primeiras semanas de março.

Entretanto, apesar desses pontos que indicam uma retomada de preço, março é um mês tipicamente de maior participação de fêmeas no abate total de bovinos, devido ao descarte de matrizes. Portanto, a expectativa de aumento da demanda para a primeira quinzena vem junto com a tendência de maior disponibilidade de animais terminados para o abate, o que não deve tirar a sustentação do mercado, mas pode limitar as altas ao longo do mês.

Considerando esses pontos, a sugestão para o pecuarista, que precisa ou que ao menos tem a intenção de vender em março, é que fique atento às oportunidades ainda nesta quinzena, quando a demanda por carne bovina é maior.

Autor: Felippe Reis, Zootecnista.

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