Como ficará a relação de troca com milho e farelo de soja este ano

Considerando um patamar de preço mais alto para a arroba do boi gordo, a expectativa é de melhoria no poder de compra do pecuarista frente aos alimentos concentrados.

Como ficará a relação de troca com milho e farelo de soja este ano

Em 2018, as relações de troca entre o boi gordo e os alimentos concentrados pioraram devido à alta dos grãos. Isso impactou, por exemplo, na margem do confinamento. Para 2019, a expectativa é de um cenário melhor no poder de compra do pecuarista e, possivelmente, um cenário melhor para o confinamento, mas será preciso planejamento das compras desses insumos.

No caso da soja e do farelo de soja, apesar da safra recorde em 2017/2018, as cotações subiram fortemente, em função do forte aumento da demanda para exportação e da alta do dólar.

Para o pecuarista, durante o período da seca, em alguns meses foram necessárias mais de dez arrobas de boi gordo para a compra de uma tonelada de farelo de soja em São Paulo (figura 1). Para uma comparação, em 2017, essa relação ficou entre 7 e 8 arrobas de boi gordo por tonelada de farelo.

Figura 1
Relação de troca: arrobas de boi gordo por tonelada de farelo de soja em São Paulo.

Figura 1 - Relação de troca arrobas de boi gordo por tonelada de farelo de soja em São Paulo.
Fonte: Scot Consultoria

Para o milho, a menor produção na temporada que se encerrou (na qual foram colhidos 17 milhões de toneladas a menos que no ciclo anterior) e o câmbio valorizado deram sustentação aos preços no mercado interno, especialmente no primeiro semestre.

Com isso, a relação de troca em São Paulo, que em 2017 ficou próxima de cinco sacas de milho adquiridas com o valor de uma arroba de boi gordo, chegou a 3,40 sacas por arroba, em maio de 2018, conforme apresentado na figura abaixo:

Figura 2
Relação de troca: sacas de milho por arroba de boi gordo em São Paulo.

Fonte: Scot Consultoria

Perspectivas para 2019

A expectativa é de aumento da produção de milho no Brasil na temporada atual (2018/2019). Para a soja, a oferta mundial deverá ser maior, mesmo com as recentes revisões na produção brasileira.

No caso do milho, em função da falta de chuvas em algumas regiões, como o Paraná, por exemplo, a produção na safra de verão, ou primeira safra, deverá ser revisada para baixo.

No entanto, a primeira safra representa 30% do volume total produzido no país, sendo a segunda safra mais representativa. Ou seja, o incremento maior é esperado na segunda safra, que também tem peso maior em relação ao total colhido no ano.

A oferta total de milho deverá crescer 12,8% frente à safra passada, o equivalente a 10,32 milhões de toneladas a mais (CONAB). Para a soja, a produção deverá ser 0,7% maior ou 784,70 mil toneladas a mais que o colhido anteriormente. Esses números poderão ser revisados nos próximos relatórios.

A oferta será maior também nos principais produtores mundiais. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção de soja deverá crescer 4,3% nos Estados Unidos e 46,8% na Argentina, em 2018/2019, na comparação anual.

Para o milho, os incrementos previstos são de 0,2% nos Estados Unidos e 32,8% na Argentina, frente à safra passada.

Outros pontos importantes, que reforçam a tendência de cenário de preços menores para o milho e para a soja em 2019 em relação a 2018, são: o câmbio, que deverá pesar menos sobre os preços das commodities comparativamente com o que vimos em 2018; a demanda, sendo que uma possível retomada das compras chinesas da soja norte-americana poderia reduzir a demanda pela soja brasileira.

Por fim, projetamos a relação de troca do boi gordo com o milho em São Paulo, com bases nos preços no mercado futuro no primeiro semestre de 2019, na B3 (antiga BM&F).

A expectativa é de que o poder de compra do pecuarista frente ao insumo melhore 7,6% até julho de 2019, com a relação de troca retornando aos patamares de 4,5 sacas de milho adquiridas com o valor de uma arroba de boi gordo no estado (veja a figura abaixo).

Figura 3
Evolução da relação de troca entre o boi gordo e o milho e projeções para 2019, em sacas de milho por arroba de boi gordo.

Figura 3
Fonte: B3 | Scot Consultoria

Do lado dos custos de produção, os alimentos concentrados deverão pesar menos no bolso do pecuarista em 2019.

Autor: Rafael Ribeiro de Lima Filho – Zootecnista, msc.

 

 

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2 respostas para “Como ficará a relação de troca com milho e farelo de soja este ano”

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