Como calcular o custo da arroba do boi gordo

Muitas vezes, o cálculo dos custos de produção passa batido pelo fazendeiro, mas é extremamente importante para as decisões gerenciais da propriedade.

Cálculo do custo da arroba do boi gordo

A moeda de troca do pecuarista é a arroba do boi gordo. Logo, para saber se a receita com a venda da boiada trará resultado financeiro positivo ou negativo é preciso saber quanto custa para se produzir cada arroba.

Além disso, com as informações dos custos de produção, é possível planejar e tomar as decisões estratégicas do negócio com maior clareza.

Entretanto, muitas vezes, calcular os custos de produção é uma tarefa que passa batida pelo fazendeiro, e o principal fator que leva a isso é a dificuldade de levantar e organizar as informações necessárias para o cálculo.

Sendo assim, o primeiro passo para saber qual o custo da arroba produzida é o levantamento e a organização dos dados.

Quais os dados que devem ser coletados?

Para saber quanto custa produzir, é preciso conhecer os parâmetros zootécnicos da propriedade. Considerando uma fazenda de recria e engorda de bovinos de corte, segue um exemplo:

Índices zootécnicos/ano Quantidade Unidade
Área de pastagens 100 Hectare (ha)
Animais fechados por ciclo 250 Cabeça
Lotação (cabeças/ha) 2,5 Cabeça/ha
Taxa de lotação média 2,0 UA*/ha
Peso vivo médio de entrada 6,00 Arroba (@)
Peso vivo médio de entrada 180 Quilo (kg)
Período de engorda no pasto 730 Dias
Ganho de peso diário 0,5 kg/dia
Peso vivo de abate 545 kg
Rendimento de carcaça – venda 53 %
Arrobas de carcaça 19,3 @
Ganho de peso vivo total na recria/engorda 13,3 @

*UA (unidade animal) = 450kg de peso vivo.
Fonte: Scot Consultoria

Com esses índices em mãos, partimos para o segundo passo, em que todos os custos envolvidos na produção animal são calculados. De maneira geral, eles são divididos em custos fixos e custos variáveis.

Custos fixos

Os custos fixos representam todos os recursos que não são completamente consumidos durante um ciclo de produção, ou seja, independentemente da quantidade produzida os custos fixos não se alteram.

As benfeitorias, as pastagens e o maquinário, por exemplo, compõem os custos fixos e são contabilizados dentro do custo da arroba através das depreciações.

As depreciações são reservas de capital para repor o bem ou benfeitoria quando acabar sua vida útil. Em outras palavras, é o custo do investimento de um bem, diluído ao longo de sua vida útil.

Apesar de existirem diversas metodologias, uma forma bastante utilizada para o cálculo de depreciação é representada pela seguinte fórmula:

Depreciação = (Valor Inicial – Valor Final)
                              _____________
                                             Vida útil

Na equação, o valor inicial é o preço pago pelo bem depreciável no momento da compra. A vida útil é o período em que o bem se mantém em condições de uso. Já o valor final representa o valor do bem após o término de sua vida útil, e é também conhecido como valor residual.

Para ter uma referência dos valores residuais e o tempo de vida útil de cada bem ou benfeitoria, o pecuarista pode escolher entre os diversos valores disponíveis na literatura – o que se aproximar mais de sua realidade.

Esses dados, no entanto, servem apenas como referência.  Uma avaliação feita pelo produtor para determinar o valor específico de sua propriedade trará maior confiabilidade ao custo. 

Exemplo de depreciação:

A formação de um hectare de pastagem custou ao produtor R$ 2,0 mil. A vida útil desse pasto é de 20 anos, e seu valor final é zero e, dessa forma, cada hectare de pasto, anualmente, gera um custo de R$ 100,00 (R$ 2,0 mil/20 anos).

Esses R$ 100,00 devem ser divididos entre o número de arrobas produzidas por hectare ao ano. Se em um hectare de pasto são produzidas 20 arrobas, o custo fixo da pastagem será de R$ 5,00 por arroba (R$ 100,00 / 20).

Já em um caso em que a produção é de 40 arrobas por hectare, o custo fixo da pastagem por arroba cai para R$ 2,50 (R$ 100,00/40). Ou seja, o aumento da produção não aumentou o custo fixo, o que houve foi uma diluição desse custo em função da maior produção na mesma área. Consequentemente, isso melhora o resultado financeiro da atividade.   

A tabela a seguir ilustra uma forma de calcular os custos fixos de uma propriedade.

Custo fixo

Quantidade

Valor inicial total

Valor residual

Valor final

Vida útil

Depreciação anual por item

Máquinas e implementos

1

R$ 200.000,00

10%

R$ 20.000,00

10

R$ 18.000,00

Escritório

1

R$ 40.000,00

5%

R$ 2.000,00

30

R$ 1.266,67

Casas de funcionários

1

R$ 80.000,00

5%

R$ 4.000,00

30

R$ 2.533,33

Cercas (total)

1/m

R$ 15,00

0%

R$ 0,00

15

R$ 1,00

Curral

1

R$ 180.000,00

5%

R$ 9.000,00

30

R$ 5.700,00

Galpão de máquinas

1

R$ 150.000,00

5%

R$ 7.500,00

30

R$ 4.750,00

Galpão ração

1

R$ 40.000,00

5%

R$ 2.000,00

30

R$ 1.266,67

Bebedouros

1

R$ 4.000,00

0%

R$ 0,00

20

R$ 200,00

Reservatório

1

R$ 6.000,00

0%

R$ 0,00

20

R$ 300,00

Cochos

1

R$ 400,00

0%

R$ 0,00

10

R$ 40,00

Poço

1

R$ 20.000,00

0%

R$ 0,00

30

R$ 666,67

Pastagem

1/ha

R$ 2.000,00

0%

R$ 0,00

20

R$ 100,00

Tropa

1

R$ 3.000,00

0%

R$ 0,00

8

R$ 375,00

Total

 

 

 

 

 

R$ 35.199,33

Fonte: Scot Consultoria

A somatória de todas as depreciações gera o custo fixo que deve ser provisionado anualmente e que deve compor o custo de produção.

Por não gerar nenhum desembolso direto ao produtor durante um ciclo de produção, muitas vezes, os custos fixos não entram na conta. Entretanto, devem ser contabilizados e sempre ter como objetivo a reserva do capital para refinanciar. Assim, quando houver a necessidade, o bem ou benfeitoria será reposto sem alterar o fluxo de caixa.

Custos variáveis

Ao contrário dos custos fixos, os custos variáveis representam todos os recursos que são incorporados ao produto durante um ciclo de produção. Ou seja, todo desembolso para a compra de insumos e pagamento de serviços e impostos durante o ciclo de produção são classificados como custos variáveis.

Dentro dos custos variáveis, existem os custos diretos e os indiretos.

Os custos variáveis indiretos representam os insumos e serviços que podem ser aproveitados em mais de uma atividade produtiva dentro da propriedade, como, por exemplo, os custos administrativos e mão de obra.

Já os custos variáveis diretos representam todos os insumos direcionados apenas a determinada atividade, e que aumentam conforme a produção. Compra de animais de reposição, nutrição, sanidade e combustível se enquadram na categoria de custos variáveis diretos.

Cabe ressaltar que independentemente da divisão entre diretos e indiretos, em um primeiro momento, o mais importante é saber o custo variável total da atividade.

Quando somamos os custos fixos (depreciações) com os custos variáveis diretos e indiretos (desembolsos), chegamos ao custo operacional total da atividade. Dividindo o custo operacional total pela quantidade de arrobas produzidas na propriedade chega-se, então, ao custo por arroba. Veja um exemplo na tabela 2, a seguir:

Tabela 3
Simulação do custo da arroba do boi gordo

Custos variáveis totais

R$ 450 mil

Custos fixos totais

R$ 50 mil

Custo operacional total

R$500 mil

Estoque de arrobas vendidas por ciclo

4 mil

Custo por arroba de boi gordo

R$125,00

Conclusões

Os custos de produção são específicos para cada propriedade, e é importante ter suas próprias informações como base. Só assim o pecuarista consegue saber exatamente como está a saúde financeira do seu negócio e ter maior exatidão para tomar decisões.

Os exemplos mostrados acima podem ajudar o pecuarista a calcular seu próprio custo. É importante lembrar que quanto mais disponíveis e organizadas essas informações estiverem, mais fiel à realidade da propriedade será o custo.

Autor: Breno de Lima, Zootecnista

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